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Do Brasil para o mundo: a Speedbird conecta drones à logística em escala.

O drone DLV da Speedbird Aero tem literalmente entregado mercadorias há anos no Brasil, Israel, Portugal, Reino Unido e Singapura.

por Dawn Zoldi17 de abr. de 2026

A entrega por drones pode render boas manchetes, mas as verdadeiras histórias de sucesso envolvem os espaços entre a aeronave e o destino: APIs de software, camadas de desconflicto de tráfego, plataformas de lançamento regulamentadas e centros de operações remotas com pilotos certificados monitorando cada voo. Poucas empresas fora dos grandes conglomerados financiados pelo Vale do Silício lidaram com todas essas peças simultaneamente. Menos ainda conseguiram fazê-lo em cinco continentes. A Speedbird Aero é uma dessas poucas.

Em um episódio recente do podcast Dawn of Autonomy , o CEO da Speedbird, Manoel Coelho, e o Diretor de Inovação, Samuel Salomão, explicaram como a empresa evoluiu de uma startup de telemedicina no Arizona para uma das operadoras de entrega por drones mais maduras operacionalmente do mundo. O sucesso da empresa gira em torno da estratégia regulatória, da arquitetura de software e das aeronaves.

As origens da telemedicina para um pioneiro das entregas por drones A história da Speedbird Aerospace começou em uma clínica. Coelho e Salomão se conheceram enquanto trabalhavam para uma empresa global de telemedicina em Phoenix, Arizona, que atendia o Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA e implantava equipamentos de diagnóstico avançados em comunidades remotas ao redor do mundo. O modelo de negócios permitia que consultas com especialistas chegassem a pacientes em áreas rurais. Mas as prescrições, amostras de sangue e medicamentos ainda exigiam transporte físico. Salomão percebeu essa lacuna e decidiu preenchê-la com helicópteros.

iFood A Speedbird Aero tem contrato com a iFood, a maior distribuidora de alimentos do Brasil. “A ideia foi do Samuel”, lembrou Coelho. “O aconselhamento médico já chegava ao local, mas os medicamentos, as receitas, as amostras médicas, era preciso transportar os pacientes para isso.”

Salomão construiu protótipos de drones em Scottsdale. Esses primeiros protótipos de sistemas de grande porte se conectavam à internet para executar o que hoje seria chamado de voos além da linha de visão (BVLOS), quase uma década antes de o termo entrar no vocabulário regulatório convencional.

Quando a dupla lançou oficialmente a Speedbird Aero em 2018, escolheu o Brasil deliberadamente. A ANAC, autoridade de aviação civil brasileira, como membro fundador da OACI juntamente com a FAA, a EASA e a Transport Canada, oferecia um ambiente regulatório mais acessível para uma operadora emergente que buscava certificação, em vez de isenções pontuais e dispendiosas.

Personalizada e certificada: a linhagem de aeronaves DLV Desde o início, Coelho e Salomão foram enfáticos ao afirmar que as aeronaves da Speedbird seriam sistemas certificáveis, e não drones comerciais prontos para uso (COTS) adaptados para logística. Coelho explicou: “Esta tinha que ser uma aeronave certificada. Se você vai realizar voos BVLOS, sobrevoar pessoas, escalar, isso tinha que estar integrado ao espaço aéreo.”

A série DLV (Delivery), composta por hexacópteros projetados para carga útil, confiabilidade e integração ao espaço aéreo, evoluiu ao longo de múltiplas gerações. Cada iteração incorporou lições aprendidas em operações comerciais reais. O DLV-1 e o DLV-2 tornaram-se as primeiras aeronaves de entrega por drones certificadas pela ANAC para voos comerciais remotos além da linha de visão (BVLOS) no Brasil, incluindo operações noturnas.

Desde então, a frota expandiu-se para incluir o DLV-3, o DLV-4 e uma variante de asa fixa, cada um projetado especificamente para diferentes perfis de missão, desde entrega de alimentos em áreas urbanas até operações de transporte de carga entre navios e terra em alto-mar. A Speedbird projetou a arquitetura da aeronave de forma a ser agnóstica em relação ao hardware na camada de integração, permitindo que a mesma plataforma de software orquestre os voos, independentemente da aeronave em operação.

UTM como ecossistema, não como produto. Salomão descreveu a abordagem UTM da Speedbird não como um sistema único, mas sim como um ecossistema de serviços interoperáveis ​​que devem funcionar em conjunto. “É preciso encontrar uma maneira de gerenciar múltiplos drones, múltiplos voos e como resolver conflitos. Não se trata de um único sistema”, explicou Salomão. “Estamos falando de vários sistemas diferentes que trabalham juntos.” Isso inclui provedores de dados meteorológicos, serviços de identificação remota (Remote ID), plataformas de autorização de voo, mecanismos de resolução de conflitos e interfaces de tráfego aéreo.

A plataforma da Speedbird, desenvolvida por Salomão ao longo de anos de operações em campo, funciona como uma camada de orquestração de software, em vez de uma estação de controle terrestre (GCS) convencional. Ela ingere dados em tempo real de provedores de serviços de dados suplementares (SDSPs) e fornecedores de serviços de UAS (USSs), conecta-se via APIs abertas a sistemas UTM parceiros e oferece aos pilotos remotos uma visão operacional unificada, independentemente da jurisdição regulatória em que estejam voando.

Em Singapura, por exemplo, Coelho observou que isso significa integrar dados de tráfego marítimo em tempo real para redirecionar dinamicamente as aeronaves ao redor de navios ancorados, minimizando simultaneamente os riscos aéreos e terrestres. "Recebemos dados em tempo real sobre os navios", disse ele. "Isso reduz o risco terrestre e, além disso, temos o risco aéreo no Aeroporto de Changi, onde estamos conectados a um dos provedores de UTM selecionados pela Skyports."

Esse agnosticismo é uma escolha estratégica. A Speedbird não tenta controlar toda a infraestrutura UTM. Em vez disso, ela desenvolve soluções para interoperabilidade. Em Israel, a empresa fez uma parceria com a High Lander, cujo sistema Universal UTM permitiu que a Speedbird realizasse o voo de entrega por drone BVLOS mais longo da história israelense, com 16 quilômetros, e completasse a primeira decolagem de drone do Aeroporto Internacional Ilan e Asaf Ramon, em Eilat.

No Reino Unido, a Skyports é responsável pela infraestrutura, com aeronaves da Speedbird entregando correspondências diariamente entre as Ilhas Orkney por meio de um corredor permanente e operacional que está em funcionamento desde a implantação da Royal Mail na Escócia em 2023.

Endurecidos pela Adversidade: Lições de Israel e de Outros Países A passagem de quatro anos da Speedbird por Israel fez mais do que construir parcerias. Ela testou a resiliência da empresa. Operar em um ambiente onde o bloqueio e a falsificação de GPS são realidades diárias forçou Salomão e sua equipe de engenharia a incorporar redundância e resiliência de sinal na infraestrutura principal. “Antes, só podíamos simular bloqueios e falsificações. Em Israel, pudemos vivenciá-los de fato e tornar nossas soluções mais robustas”, disse Coelho.

Essa experiência, aliada à navegação regulatória pela ANAC, EASA e pela autoridade de aviação civil de Israel, conferiu à Speedbird um conhecimento regulatório transjurisdicional único. A empresa acaba de obter sua primeira certificação STS-01 (categoria específica) na Itália e opera sob a estrutura da EASA em diversos Estados-Membros, incluindo Portugal, sede de seu escritório europeu e principal ponto de contato regulatório. A ANAC portuguesa compartilha o nome e fortes laços institucionais com sua contraparte brasileira, o que cria um caminho natural para o mercado da UE, composto por 27 Estados.

Droneportos: Infraestrutura definida pela segurança, não pela arquitetura. No que diz respeito à infraestrutura física, Salomão ofereceu uma definição pragmática de “droneporto”, um termo que a indústria ainda não padronizou. A abordagem da Speedbird trata cada local de lançamento e recuperação como um aeroporto em escala reduzida, com perímetros de segurança definidos, sejam plataformas cercadas ao nível do solo ou plataformas elevadas sobre contêineres, procedimentos operacionais padrão e listas de verificação para o carregamento da carga útil.

Hermes Pardini Com uma vasta experiência em voos BVLOS e UTM, a Speedbird agora mira os Estados Unidos. “Um aeroporto para drones, na nossa visão, é como um heliporto ou um aeroporto”, disse Salomão. “Tem que ser um local seguro. Existem procedimentos, as pessoas seguem listas de verificação e precisa ser muito semelhante a um aeroporto, só que em outra escala.”

As aeronaves da Speedbird suportam tanto pousos de precisão quanto entregas por guincho, o que proporciona flexibilidade aos operadores em ambientes urbanos densos, onde pousos em telhados ou quintais não são viáveis. A Speedbird também está desenvolvendo a integração de armários inteligentes em pontos de coleta estrategicamente localizados próximos a aeroportos de drones que atendem áreas residenciais de alta densidade. Isso será particularmente relevante para cidades europeias e brasileiras, onde o modelo de entrega por drones em quintais de casas unifamiliares, comum em áreas suburbanas dos EUA, não se aplica.

O fator humano no processo: operações remotas como cultura de segurança. Uma das lições mais instrutivas dos mais de seis anos de operação contínua de entregas comerciais de alimentos da Speedbird, a rota de entrega por drones mais antiga do mundo em atividade, funcionando sete dias por semana, dez horas por dia, não surgiu de uma falha tecnológica, mas sim de um problema com a equipe. No início do programa, os pilotos de voos BVLOS (Beyond Visual Line of Sight - Além da Linha de Visão Visual) ficavam fisicamente dentro do shopping center adjacente à plataforma de lançamento. Isso os expunha às pressões operacionais da entrega de alimentos e às reclamações dos clientes. A transferência desses pilotos para um centro de operações remoto centralizado transformou a cultura de segurança.

“Retirar o piloto daquele local criou, na verdade, uma cultura de segurança que era primordial”, explicou Coelho. “Independentemente do que esteja acontecendo, o piloto está focado em voar ou monitorar. Há um ser humano no circuito.”

Esse centro de operações centralizado no Brasil agora dá suporte a múltiplos tipos de missões simultâneas, desde entrega de alimentos e logística médica até suporte a plataformas de petróleo offshore e transporte de carga entre navios e terra, com a mesma equipe de pilotos transitando entre as tarefas. Centros de contingência de emergência estão prontos para entrar em ação em caso de interrupções regionais. O modelo trata o pilotagem remota com a mesma disciplina de gerenciamento de recursos da tripulação da aviação comercial: funções definidas para o piloto em comando, protocolos de comunicação e procedimentos de escalonamento.

O Mercado Americano: Cronograma, Parte 108 e Retorno para Casa A decisão da Speedbird de adiar a entrada formal no mercado americano foi deliberada. Coelho passou anos observando concorrentes queimarem capital com isenções pontuais e caras sob a regulamentação da Parte 107 e concluiu que a escalabilidade exigia um ambiente baseado em regras. A Parte 108, a futura regulamentação BVLOS da FAA, e a Parte 146, a regulamentação complementar de UTM, agora fornecem a infraestrutura regulatória que a Speedbird esperava.

Finalmente, chegou a hora certa. Corre o boato de que a FAA concluiu o pacote de regulamentação das Partes 108/146, que agora está no Departamento de Transportes e segue em direção ao Escritório de Administração e Orçamento, com possível publicação no verão de 2026.

Assim, a Speedbird agora busca parceiros nos EUA. "Estamos sendo pacientes para garantir que, quando chegarmos aqui, comecemos com as parcerias certas", disse Coelho. "Isso é aviação. Leva tempo. Leva investimento. Leva paciência."

A empresa já realizou operações visíveis em Chicago, na região dos Grandes Lagos e em Detroit. Coelho visitou recentemente Phoenix, cidade onde a história da Speedbird começou, para negociar ativamente a presença da empresa nos EUA em termos de produção e operações. Manoel Coelho e outros líderes da Speedbird também devem visitar os EUA para o AUVSI XPONENTIAL em maio de 2026, em Detroit, como parte do programa Law-Tech Connect Scholar. Para interagir com eles, inscreva-se no Law-Tech Connect e no happy hour relacionado no XPONENTIAL. Os detalhes de ambos estão disponíveis na aba Eventos do site da Autonomy Global.

A Speedbird Aero está buscando ativamente parceiros de UTM, logística e infraestrutura para entrada no mercado americano. Os interessados ​​podem entrar em contato diretamente com os escritórios da empresa na Europa e no Brasil.

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